A árvore da vida (The tree of life)


A árvore da vida (The tree of life) 2011


Direção: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Jessica Chastain, Sean Penn, Hunter McCracken, Tye Sheridan, Laramie Eppler
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Drama, Fantasia
Nota IMDB



Sinopse do filme A árvore da vida (The tree of life):


O filme conta a história de uma família americana comum da década de 50: o Sr O'Brien (um pai rígido porém afetuoso), a Srª. O'Brien (uma mãe submissa, infantil e compreensiva) e seus 3 filhos. Jack (o filho mais velho) tem alguns atritos com o pai na infância, e na vida adulta ainda enfrenta dificuldades em aceitar a morte de seu irmão aos 19 anos.


Ao mostrar imagens da formação do universo, lamentos da família enlutada e posteriormente imagens de um reencontro familiar em uma praia "além vida", a pretensão de Terrence Malick (que iniciou o projeto do filme em 1970) é revelar o sentido da vida através de uma visão espiritualista.


Assistir trailer do filme A árvore da vida (The tree of life) legendado em português pt br:




Resenha do filme / análise crítica do filme A árvore da vida (The tree of life) e seus usos em Cinema Terapia:


Quando um filme é ruim, geralmente nem perco tempo escrevendo sobre ele. Mas diante da (quase) unanimidade que diz ser esse um filme que levanta "questões filosóficas", não resisti e resolvi escrever minha primeira crítica negativa.


Não encontrei nenhuma "mensagem profunda": achei sim um filme pretensioso, moroso e repleto de ensinamentos religiosos, do tipo "se você não tiver fé cega e não for submisso vai ser infeliz*" (apesar que o filme se contradiz pois, justamente os que seguem o caminho da "graça" são aqueles que, além de terem tido um "final infeliz' passam o filme todo se lamentando, fazendo drama mama).


Teve gente que falou que o filme não agradou por não seguir o tradicional início-meio-fim... O filme Mr Nobody passa longe de ser linear, e nem por isso é sofrível como A árvore da vida (pelo contrário!).



SOBRE O FILME
O filme mostra o cotidiano de uma família tradicional do Texas e suas obviedades. A mãe é super carinhosa, segue o caminho da "graça", o pai é rígido (sem perder a ternura) e segue o caminho da "natureza". Um dos 3 filhos morre. Imagens da criação do mundo, da formação da vida no planeta enquanto a mãe lamenta a perda do filho. Cenas de um dos filhos já adulto, andando pra lá e pra cá que nem um pazzo, aparentemente ainda em "crise existencial" pela perda do irmão.


ESTÉTICA
As imagens são deslumbrantes realmente, mas o filme no todo (pra mim) é a típica loira burra: bonita por fora, vazia por dentro. Até usaria partes em um telão, como pano de fundo de uma festa, um mero ornamento.


Se o diretor ambicionava um "ineditismo" de unir uma bela fotografia com questionamentos filosóficos, fracassou. Filmes como Koyaanisqatsi (1982), Nós que aqui estamos e por vós esperamos (1998) e Sonhos (1980) fizeram isso bem antes dele. Isso sem mencionar 2001: uma odisséia no espaço (que tem o mesmo técnico visual Douglas Trumbull) que deixa A árvore da vida no chinelo no quesito "levantar questões filosóficas".


FAMÍLIA
Pai, mãe, filhos: são todos lindos. A casa então, de tirar o fôlego. A típica família dos anos 50: a mãe acolhedora e submissa,o pai provedor e durão (que no futuro admite ao filho que pegou pesado e se arrepende), mas sempre preocupado em preparar os filhos para o futuro. É uma família que, de tão perfeita e inverossímil, não cativa.


MÍSTICA RELIGIOSA
As possíveis conexões entre as cenas da família e as do universo em formação são de fundo religioso: apelos como a luzinha vacilante (que dá entender ser a "alma" do filho morto), um pai coerente com o modelo clássico do deus que castiga (mesmo que não consigamos entender os motivos desse deus/pai), a mensagem (pra lá de batida) de que "a dor de uma pessoa não é nada perto da vastidão do universo", as músicas com apelo litúrgico, a cena dos personagens (vivos e mortos) de branco se encontrando em uma praia...


REFLEXÃO SOBRE VIDA E MORTE
O que eu vi de gente falando que as imagens nos fazem pensar, refletir, filosofar não foi brincadeira. Tirando todo o conteúdo religioso (que tem mais a ver com reforço da fé do que com reflexão racional), o que é que sobra para refletir? Só se a pessoa pulou o colégio e não tem tv a cabo em casa que ainda não viu nada sobre a sopa primordial, extinção dos dinossauros e big bang...


Tentei, em vão, achar qualquer coisa que não tivesse contaminada de ensinamentos religiosos pasteurizados. Questões ingênuas, perto do intento megalomaníaco do diretor em explicar o significado da vida e da morte... Pra não dizer que estou com implicância, abaixo algumas "pérolas" do filme:



  • *As freiras nos ensinaram que tem duas formas de encarar a vida: A forma da natureza e a forma da graça. Você deve escolher qual das duas seguir. A graça não tenta agradar a si mesma. Ela aceita ser desprezada, esquecida, rejeitada. Ela aceita insultos e machucados. A Natureza apenas tenta agradar a si própria... Ela gosta do poder. De ter suas próprias escolhas. Encontra motivos para ser infeliz, enquanto todo o mundo brilha a seu redor. As freiras nos ensinaram que ninguém que ama o caminho da graça tem um final infeliz.

  • Ele agora está nas mãos de Deus.

  • A vida continua. As pessoas se vão.

  • Onde você estava Deus?

  • É lá que Deus mora.

  • Estás me vendo Deus?

  • Vai morrer também, mãe?

  • Você confia em Deus?

  • Pessoas erradas ficam famintas.

  • Dízimo todos os domingos.

  • Guie-nos.


Agora se realmente esse filme te trouxe respostas (não pautadas na fé, pelamor) para suas dúvidas existenciais, compartilhe conosco!