Barry Lyndon


Barry Lyndon 1975


Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Ryan O'Neal, Marisa Berenson, Patrick Magee, Hardy Krüger, Steven Berkoff, Gay Hamilton, Marie Kean, Diana Körner, Murray Melvin
Ano: 1975
País: Reino Unido/EUA
Gênero: Drama, Romance, Guerra
Nota IMDB



Sinopse do filme Barry Lyndon:


Conta a trajetória de um malandro irlandês que ganha o coração de uma viúva rica e assume uma posição de destaque na aristocracia do século 18.
Após um breve período de regalias, um triste destino o aguarda.


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Resenha do filme / análise crítica do filme Barry Lyndon e seus usos em Cinema Terapia:


Apesar da fotografia, figurino, produção impecáveis (cada cena daria um quadro renascentista), confesso que a primeira hora não prendeu muito a minha atenção, ao contrário das duas seguintes.


No início somos cativados pelo inocência juvenil de Redmond Barry, um belo e pobre irlandês, ao ser seduzido por sua prima Nora.


Em uma festa, Nora dança com o imponente capitão inglês John Quin e provoca o ciúmes de Barry. Quando questionada, Nora replica que Barry é garoto pobre, não um "homem valente" como Quin. Irritado, Barry desafia Quin para um duelo: seu tio (pai de Nora) tenta persuadi-lo a mudar de idéia, pois vê no futuro genro (capitão Quin) a chance de resolver seus problemas financeiros. Contrariando os interesses do tio, Barry mata Quin com um tiro de pistola, e agora precisa fugir da polícia: Barry viaja então para Dublin.


No caminho Barry é assaltado e não vê outra alternativa a não ser se alistar no exército britânico para garantir seu sustento. A chegada de uma nova tropa, Barry encontra seu padrinho do duelo. Fica então sabendo que forjaram a morte do capitão Quin usando bala de estopa para tirar Barry do caminho e garantir as 1.500 libras anuais que seriam dadas à família após o casamento de Quin e sua prima Nora.


Após a morte em combate de seu padrinho, Barry 'herda" 100 guinéus do tio (dados por Quin) e se desinteressa pela carreira militar. Num golpe de sorte consegue deserdar, assumindo a identidade de um mensageiro inglês. Durante a fuga, conhece uma jovem holandesa cujo marido está na guerra e com ela tem um curto relacionamento. De volta à estrada rumo à Holanda (país neutro na guerra dos 7 anos), Barry é surpreendido por um oficial prussiano, que desconfia de sua identidade. Barry mente dizendo que tem a missão de levar um documento importante para Bremen, o oficial diz que está no caminho contrário e oferece estadia e um mapa para que prosseguisse viagem no dia seguinte. Indagado sobre a Inglaterra, Barry inventa histórias fantásticas, chegando ao exagero de dizer que é sobrinho do embaixador de Berlim. No auge de seu exibicionismo, o oficial descobre a farsa. A Barry só resta então se juntar ao exército prussiano para não ser preso por deserção.


A guerra termina e seu superior oferece um trabalho na polícia: para isso Barry teria que investigar se o irlandês Chevalier de Balibari, um jogador profissional e bon vivant, era ou não um espião. Ao entrar na casa luxuosa do Chevalier, decide contar o real motivo da sua visita ao seu conterrâneo. Barry passa então a trabalhar com Chevalier espiando as cartas de baralho dos adversários e informando ao patrão através de códigos. Paralelo à isso, semanalmente Barry leva relatórios falsos à polícia prussiana sobre as ações do Chevalier. O rei, descobrindo as trapaças no jogo de cartas, decide expulsar o Chevalier do país: Barry o acompanha. Chevalier e Barry prosperam como comparsas no carteado, e em uma dessas noites, já decidido à se casar com uma nobre rica, conhece a Condessa de Lyndon, casada com o moribundo sir Charles Lyndon. Barry a seduz, logo o marido da Condessa morre e Barry se casa com ela. Agora passa a se chamar Barry Lyndon, desfruta de todas as regalias da elite européia, e tem uma mulher por noite. O filho da Condessa com sir Charles Lyndon desaprova as atitudes do padrasto e tenta convencer a mãe que Barry não passa de um oportunista. Após o nascimento do filho Bryan, Barry quase não dorme mais em casa.


Convencido pela mãe de conseguir um título de lorde (para o caso da Condessa vir a falecer e ele não ficar na miséria), Barry gasta quase toda a fortuna da esposa presenteando nobres para que lhe concedam o título. A Condessa passava o dia assinando documentos e ordens de pagamento. O ódio do enteado pelo padrasto só cresce e durante uma apresentação pública, o enteado desmascara o padrasto: seu comportamento grosseiro, sua infidelidade, o roubo das propriedades da mãe... Barry então espanca - em público - o enteado, que foge de casa. Barry agora é desprezado pela aristocracia, e assiste impotente seu próprio declínio social. Como se não bastasse, o filho de Barry e da Condessa sofre um acidente trágico. A condessa enlouquece, tenta o suicídio, Barry se entrega à bebida. A mãe de Barry então vem morar no castelo, passa a - convenientemente - administrar as finanças do casal.


Ao saber das desgraças que assolam a mãe, o afilhado de Barry volta para casa e desafia o padrasto para um duelo. Barry é ferido e levado para uma pousada. O afilhado pede que avise à mãe de Barry do ocorrido, e essa parte para encontrar o filho.


O enteado oferece então 2 alternativas à Barry e sua mãe: ou eles saem da Inglaterra e recebem 500 guinéus por ano, ou Barry fica e vai direto para a cadeia, por processos movidos pelos credores. Barry aceita a mesada e parte para a Irlanda com a mãe.



NARCISISMO E HISTRIONISMO


Narcisismo e Histrionismo fazem parte do Cluster/Grupo B de Transtornos de Personalidade, que incluem comportamentos como: egoísmo, egocentrismo, necessidade de ser o centro das atenções, baixa tolerância a frustração e crítica, tendência a manipular e controlar outras pessoas.



Além das características do Grupo B, o Narcisista possui um senso de auto-importância exagerado (se acham superiores aos demais ou "especiais"), falta de empatia (não se importam com os sentimentos, necessidades ou desejos de outras pessoas), obsessão com sucesso/poder/status/dinheiro, deficiência em reciprocidade, tende a explorar os outros para obter ganho pessoal, sentir intensa inveja dos outros e crer que outros também têm inveja deles, insultar e culpar aos outros e reage furiosamente à críticas.


Além das características do Grupo B, o Histriônico é excessivamente dramático, teatral, exagerado, sexualmente sedutor, superficial e influenciável.


Tanto o Narcisista quanto o Histriônico buscam atenção dos outros, com uma diferença: Para o Histriônico, qualquer tipo de atenção (boa ou má) serve, e não se importam em ser vistos como frágeis ou dependentes (se isso for fundamental para obter atenção) já que ele está em busca da validação/aprovação do outro. Já o Narcisista está em busca de admiração e auto-engrandecimento, quer elogios por sua "superioridade".



HEREDITARIEDADE (FAMÍLIAS NARCISISTAS)
Barry apresenta características típicas de personalidade Narcisista: só se sente aceito e querido quando é o centro das atenções, é impulsivo, mentiroso, exagerado (a cena onde Barry conta ao filho sobre suas aventuras na guerra com floreios de bravura e glória não deixa dúvida), egocêntrico e sem empatia (outro exemplo não mencionado acima é quando, logo após o casamento, a Condessa pede carinhosamente que Barry pare de fumar na carruagem e ele solta uma debochada baforada na cara da esposa), manipulador, sedutor, intolerante à frustração (cena que agride o afilhado), ofende-se facilmente, e claro, está disposto a tudo para conquistar fama e poder...


Mas não será um padrão familiar? Ao colocar o dinheiro acima de tudo e estimular ascensão social mesmo que às custas de explorar impiedosamente outras pessoas, tanto a prima (possivelmente uma histriônica), o tio e a mãe de Barry mostram seu lado egocêntrico e inescrupuloso. A sedução e desonestidade à serviço de seus interesses é comum tanto a Barry quanto à prima. A única referência feita ao pai de Barry indica impulsividade (o pai de Barry morreu num duelo), a mãe de Barry é fria e manipuladora (cena que se aproveita da insanidade temporária da nora para recolher sua assinatura em documentos), o tio é chantagista (cena onde o tio recorre à culpa de Barry para atingir seu objetivo: Não dei a você e à sua mãe uma bela casa, sem cobrar aluguel?), teatrais (ou representam o papel de "grande vítima" ou de "estrela")...


E você, conhece famílias assim? Como impedir que esse comportamento e estenda às próximas gerações? Quando um filho(a) vê uma mãe conseguindo o que quer através de escândalos, chantagens, manipulações, teatro (ex: fingir uma doença para os familiares se sintam culpados por não terem atendido seus desejos), esse(a) filho(a) não aprende (e posteriormente ensina) que essa é a única forma de chamar a atenção?