Carrie, a estranha (Carrie)


Carrie, a estranha (Carrie) 1976


Direção: Brian De Palma
Elenco: Sissy Spacek, Piper Laurie, John Travolta, Amy Irving, William Katt, Nancy Allen, Betty Buckley, Sydney Lassick, Priscilla Pointer
Ano: 1976
País: EUA
Gênero: Terror, Suspense
Nota IMDB



Sinopse do filme Carrie, a estranha (Carrie):


Reprimida pela mãe, uma fanática religiosa que tenta a todo custo mantê-la sob seu controle, Carry White é uma garota tímida, ignorante e consequentemente com dificuldades para se relacionar com outros adolescentes. Alvo constante de "valentões" da escola, Carrie encontra em sua professora uma aliada em sua luta contra o bullying.


Uma bullie arrependida pede que seu namorado seja o acompanhante de Carrie no baile de formatura, enquanto seus colegas igualmente populares e sádicos Chris Hargenson e Billy Nolan armam um trote degradante para Carrie.


Nesse clássico do terror de Stephen King, Carrie e seus poderes telecinéticos transformam a grande noite em um rio de sangue e vingança.


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Resenha do filme / análise crítica do filme Carrie, a estranha (Carrie) e seus usos em Cinema Terapia:


O filme (baseado no livro de Stephen King) conta a história de Carrie, uma garota tímida que, por seu comportamento esquisito, sofre bullying na escola.


A mãe de Carrie (Margareth) é uma fanática religiosa, que coloca a culpa no diabo pelo fato de seu marido (pai de Carrie) ter fugido com outra mulher.


Em seu delírio psicótico, a mãe tenta a todo custo manter sua filha longe do "pecado": como consequência Carrie não tem nenhuma instrução, vive alheia ao mundo real e não conta com nenhum suporte emocional. A adolescência de Carrie é vista como uma ameaça para a mãe que teme ficar sozinha caso Carrie também (assim como o pai) resolva dar ouvidos a seus impulsos sexuais e se rebele contra as rígidas normas que Margareth impõe.


Assustada com sua primeira menstruação, Carrie é novamente alvo de chacota no vestiário feminino. Sua professora de educação física (Collins) consola e procura orientar Carrie, assumindo carinhosamente o papel que a mãe de Carrie rejeitou.


Ao chegar em casa, Carrie questiona, temerosa, o motivo da mãe não ter lhe explicado sobre a menstruação (o que certamente evitaria que Carrie fosse ridicularizada). O que Carrie recebe da mãe é um fervoroso sermão religioso, culpando Carrie por ter menstruado pois, segundo a lógica insana de Margareth, isso só aconteceu porque Carrie era pecadora (teve relações sexuais ou "pensamentos luxuriosos"). Como punição por seus "pecados" Carrie é arrastada pelos cabelos e trancada em um armário macabro, repleto de imagens sacras, pra onde Carrie é levada sempre que precisa pedir "perdão a Deus".


No dia seguinte, Collins tenta conscientizar suas alunas sobre a crueldade de seus atos em relação a Carrie. Uma alternativa à suspensão de 3 dias e cancelamento dos ingressos para o baile de formatura, Collins diz às garotas que poderão participar de aulas extras durante uma semana. Chris Hargenson debocha, se recusa a participar das atividades e, como punição por sua atitude rebelde, é banida do baile. Chris garante às outras garotas que vai se vingar de Carrie.


Na sala de aula, Carrie elogia o poema de Tommy Ross. O professor critica cinicamente Carrie, e Tommy Ross, com pena de Carrie, o xinga baixinho.


Sue (aparentemente arrependida pelo que fez à Carrie) em um gesto generoso pede ao seu namorado (Tommy Ross) que seja o acompanhante de Carrie no baile.


Enquanto isso, Chris pede a seu igualmente perverso namorado (Billy Nolan) que a ajude na vingança. O relacionamento dos dois é permeado pela agressividade e rebeldia: os dois se batem, vivem humilhando um ao outro, são sádicos.


Tommy convida Carrie, que a principio recusa desconfiada. Após se aconselhar com a Srtª Collins (que também ajuda Carrie a despertar sua autoestima), Carrie decide aceitar o convite.


Chris e Billy matam um porco e retiram seu sangue. O plano no qual Chris se empenha entusiasticamente é de fazer com que Carrie ganhe o prêmio de rainha do baile para em seguida (assim que ela subir ao palco) derrubar um balde com sangue do porco em sua cabeça.


Carrie, carente de aprovação materna, tenta convencer a mãe a deixá-la ir ao baile com Tommy. Abaixo um trecho onde Carrie tenta se livrar do seu script:
- Mamãe, por favor, deixe que eu... comece a tentar... me relacionar com as pessoas melhor.
Por favor não me deixe ser igual a senhora. Eu sou estranha. Quero dizer... todos me acham estranha.
Eu não quero ser assim. Eu quero ser normal.
Eu quero... começar a tentar... ser uma pessoa normal... antes que seja tarde demais...


Diante da recusa, Carrie diz à amargurada mãe que já aceitou o convite:
Mamãe, eu já aceitei.
...Nem todo mundo é mau, mamãe! Nem tudo é pecado!


Margareth manda Carrie entrar no armário e orar. Carrie segue tentando persuadir a mãe mas esta não presta atenção na filha, e Carrie (que nesse ponto do filme já sabemos ter poderes sobrenaturais) fecha as janelas para que a mãe a escute. Margareth chama a filha de bruxa, diz que o diabo está usando seu corpo, tenta usar suas velhas táticas de opressão, amaldiçoa a filha (Eles vão todos rir de você!), mas nada faz Carrie desistir de sua emancipação.


No baile, como esperado, Tommy e Carrie são eleitos rei e rainha do baile. Sue descobre e tenta impedir Chris, mas já é tarde demais: Carrie toma um banho de sangue e, liberando sua raiva reprimida por anos, bloqueia (com o poder de sua mente) todas as saídas e mata os alunos e professores presentes.


Como sempre, a nada acolhedora mãe conta à Carrie como foram as duas únicas vezes que o pai de Carrie transou com ela, e começa com a ladainha de que o pecado nunca morre que o sexo é uma coisa suja (mas que ela gostou quando seu marido a "tomou com o fedor do whisky barato no seu hálito... com todas aquelas carícias imundas"), etc.


Carrie aceita, resignada, o convite da mãe para rezar. Margareth esfaqueia a filha que, para se defender, acaba pregando a mãe com facas no batente da porta, como um "Jesus crucificado".


Se sentindo culpada por ter sobrevivido, Carrie não se esforça para escapar da casa que é engolida pelo fogo.


Sue, após assistir do lado de fora todo o incidente, sonha estar levando flores para a casa/sepultura de Carrie e acorda assustada.


E se Carrie tivesse sobrevivido, será que teria seguido o script da mãe, se isolando para sempre do contato social? Se tornaria uma psicótica, tal qual a mãe?


É impressão ou (quase) todos os filmes americanos mostram adolescentes cruéis, que são vilões ou vítimas de bullying? Não me lembro de ver (pessoalmente ou em filmes) nada comparado à perversidade dos jovens americanos. Certamente a intolerância não é o ingrediente principal, mas ajuda fermentar o bolo dos tantos casos de serial killers nas terras do Tio Sam...