Fúria de Titãs (Clash of the Titans)


Fúria de Titãs (Clash of the Titans) 1981


Direção: Desmond Davis
Elenco: Laurence Olivier, Claire Bloom, Maggie Smith, Ursula Andress, Jack Gwillimz Susan Fleetwood, Pat Roach, Harry Hamlin, Judi Bowker, Burgess Meredith, Siân Phillips, Tim Pigott-Smith, Neil McCarthy
Ano: 1981
País: Reuno Unido
Gênero: Aventura, Fantasia
Nota IMDB



Sinopse do filme Fúria de Titãs (Clash of the Titans):


Uma adaptação cinematográfica do mito de Perseu e sua busca pela cabeça da Medusa, única forma de derrotar o monstro Kraken, a fim de salvar a princesa Andrômeda.


Assistir trailer do filme Fúria de Titãs (Clash of the Titans) legendado em português pt br:


 


Resenha do filme / análise crítica do filme Fúria de Titãs (Clash of the Titans) e seus usos em Cinema Terapia:


O filme é uma adaptação do mito de Perseu. Tanto a sinopse do filme como o mito na íntegra estão no final da página.

Abaixo minha interpretação do mito e aplicações práticas:


1) ABANDONO
Perseu faz parte da longa lista de personagens míticos que foram largados à própria sorte após o nascimento: Zeus, Moisés, Édipo, Rômulo e Remo, Hércules, Dionísio, Páris, Hefestos, Egisto, Atalanta... Seja por má formação congênita, infidelidade de um dos progenitores, ameaça ao trono/vida do(s) pai(s) ou para aplacar alguma ira divina, o abandono é tão antigo quanto a própria humanidade.


Ao invés de fechar os olhos para uma prática tão comum, a maioria dos mitos tenta mostrar que o que está predestinado irá acontecer, de uma forma ou de outra. De nada adiantou Acrísio tentar se livrar do neto Perseu, que sobrevive e anos depois acaba matando acidentalmente o avô.
Realmente não adianta fugir de um aprendizado ou experiência: Aquilo a que você resiste, persiste, já dizia Jung.


Por que então a igreja se ocupa tanto em fazer uso de meios para proibir a legalização do aborto? Com isso ela incita e é conivente com práticas hipócritas como a de mães jogando seus filhos em lixeiras ou pior, trancando-os em casa sem comida e submetendo-os a maus tratos velados (já que o Estatuto da Criança e do Adolescente garante o "direito" do filho de ser "protegido" e "conviver" com a "família")...


2) AMADURECIMENTO
Quando Perseu se dá conta que sua mãe Danaê é um ser sexual (e não mais uma figura sacra e inacessível), seu primeiro impulso é protegê-la de Polidectes que a partir de então é visto como um rival com quem disputa o amor da mãe... Sua jornada em busca da cabeça de Medusa que a principio era justificada como uma forma de tirar Polidectes do encalço da mãe, aos poucos se configura como o amadurecimento de Perseu, o desenvolvimento do seu ego.


Medusa, assim como Danaê, foram violadas e posteriormente abandonadas por Zeus, então o encontro com Medusa é de certa forma uma tentativa de encontro com sua mãe real (não a idealizada).


Se Perseu olhasse diretamente nos olhos de Medusa (que é o arquétipo da mãe dominadora, devoradora e que aprisiona seus filhos), Perseu seria “petrificado”, estagnado em sua evolução para a idade adulta.


Ao olhar a Medusa indiretamente através do reflexo do escudo de Atena (deusa da sabedoria e do amor a verdade), Perseu consegue enxergar a verdade como ela é, e seu inconsciente, seu lado negativo e oculto são revelados. Através dessa descoberta, Perseu agora é um "homem", e assim conhece e se apaixona por Andrômeda.


A cabeça da Medusa então ganha um outro propósito: salvar a donzela do monstro marinho Cetus.


3) VAIDADE
Cassiopéia (assim como Narciso, Sansão, Hera), foram punidos por ostentar vaidade. Curiosamente, a Medusa com sua cabeça de serpentes também é o símbolo da vaidade.


Medusa foi uma bela donzela que ousou considerar-se mais bela que Atena, deitando-se inclusive com Poseidon no próprio templo de Atena. Por sua arrogância, foi punida por Atena sendo transformada em um monstro horrendo com cabelos de serpente.


A "cura" para a vaidade então é simbolizada pela humilde reconhecimento de sua insignificância perante os "deuses", seja Cassiopéia ao entregar a filha para o sacrifício, seja Medusa ao colocar-se à serviço de Atena, para destruir os inimigos de quem possuir sua cabeça.


4) TRIÂNGULO DRAMÁTICO
O conceito de triângulo dramático da Análise Transacional é ilustrado não somente nesse mas na maioria dos mitos: Andrômeda representa o papel da Vítima, Perseu do Salvador, Cetus (o monstro marinho) do Perseguidor.


Durante os "jogos" sociais, as pessoas podem "pular" de um papel para outro (ex: Perseu como Vítima de Acrísio, Perseguidor de Polidectes e Salvador de Andromeda).


 


Sinopse do filme:
Acrísio (rei de Argos), furioso por Zeus ter engravidado sua filha Danaê, lança sua filha e neto Perseu ao mar em uma arca de madeira. Poseidon vê tudo e conta a Zeus, que ordena que seja libertado o titã Kraken para destruir Argos. Enquanto isso, Danaê e Perseu são conduzidos por águas tranquilas até a ilha de Sérifo.


No Olimpo, a deusa Tétis fica enciumada da proteção concedida por Zeus à Perseu, enquanto seu filho Calibos não teve a mesma sorte. Calibos havia sido escolhido para se casar com a bela Andrômeda, filha de Cassiopéia (rainha de Joppa) mas após ter destruído todos os rebanhos sagrados e quase todos os cavalos alados (restando apenas Pégaso) da Lua, não teve a clemência de Zeus: foi transformado em um monstro e condenado a viver solitário no pântano.


Como vingança, Tétis decide que, se seu filho não poderá desposar Andrômeda, nenhum outro o fará. Tétis então envia Perseu já adulto para Joppa. Zeus se encarrega de armar o filho contra os desafios que ele teria de enfrentar: os deuses presenteiam Perseu com um capacete que tornava invisível quem o usa, uma espada e um escudo.


Usando seu capacete, Perseu vai à Etiópia e lá descobre o drama de Andrômeda: Diariamente a princesa apresenta um enigma diferente aos seus pretendentes, e aquele que não advinha é queimado vivo. Perseu se apaixona pela donzela e decide salvá-la.


Para isso, captura Pégaso que o leva até o pântano, onde vê a alma de Andrômeda suplicando à Calibos para deixá-la livre da maldição do enigma, ao que Calibos nega e passa um novo enigma para a princesa.


No dia seguinte, como de costume, a rainha Cassiopéia desafia os homens a adivinhar o enigma e casar com sua filha. Perseu decifra o enigma. Ao abençoar a união, Cassiopéia diz que sua filha é mais bela do que Tétis. Tétis enfurecida lança uma maldição: Andrômeda seria oferecida virgem em trinta dias para o monstro marinho, ou Joppa seria destruída.


Perseu parte com outros guerreiros em busca da cabeça de Medusa, a única forma de matar o mostro marinho. Zeus ordena que Atena dê sua coruja para ajudar Perseu mas Atena envia uma coruja mecânica, que os conduz até uma caverna onde moram as três velhas cegas, que sabem onde Medusa está. A princípio elas se recusam a dizer, mas com a ajuda da coruja Perseu rouba o olho mágico e diz que só vai devolvê-lo caso lhe ensinem a chegar até Medusa. As velhas ensinam, mas alertam sobre o perigo de serem todos transformados em pedra.


Perseu usa o reflexo do escudo para localizar Medusa sem ser petrificado, conseguindo assim cortar sua cabeça e colocá-la em uma sacola. No caminho de volta, Perseu pára para descansar. Cálibos furtivamente enfia a faca na sacola, de onde saem escorpiões gigantes que matam os guerreiros que acompanhavam Perseu. Perseu então luta com Cálibos, que morre com uma facada na barriga.


Enquanto isso Andrômeda está sendo levada por sua mãe para a costa. Perseu chega montado no cavalo alado Pégaso quando Andrômeda já está acorrentada às pedras e prestes a ser sacrificada. O herói aponta a cabeça da medusa para o Kraken, que morre.


Perseu salva sua amada, eles se casam e são eternizados entre as constelações.


 


O mito original:
Acrísio é informado pelo oráculo de que um dia seria morto por seu neto. Temendo o futuro trágico, Acrísio aprisiona sua filha Danaê, o que não impede Zeus de entrar disfarçado de chuva de ouro e engravidar Danaê, que dá a luz a Perseu. Após casar-se com Andrômeda, Perseu participa dos jogos atléticos. Ao arremessar um disco, uma rajada de vento faz o disco atingir e matar acidentalmente um velho da platéia: seu avô Acrísio.


Perseu não vai em busca da cabeça de Medusa (conforme mostrado no filme) para salvar Andrômeda, mas sim para salvar sua mãe Danaê que era assediada por Polidectes (rei da ilha de Sérifo). Perseu a protege ciumentamente e o rei, para tirar Perseu do caminho, inventa que irá casar-se com Hipodâmia. Durante o banquete de noivado, todos os súditos presenteiam o rei: Perseu não tem nada a oferecer e, por orgulho, precipitadamente diz que dará ao rei a cabeça de Medusa. Após conquistar a cabeça de Medusa, Perseu volta para casa e no caminho vê Andrômeda acorrentada sendo oferecida a um monstro marinho. Perseu então aponta a cabeça da Medusa para o monstro e o mata, libertando assim a donzela por quem se apaixonou. Em seguida Perseu chega à Sérifo e transforma em pedra o rei e os outros inimigos da mãe.


Cassiopeia disse que ela própria (e não a filha Andrômeda, como no filme) era mais bela que as Nereidas, filhas de Poseidon. Como vingança, Poseidon enviou um monstro marinho para destruir seu reino. Cefeu (marido de Cassiopéia e rei da Etiópia) desesperado parte em busca do oráculo, que sugere o sacrifício da filha Andrômeda ao mostro Cetus para acalmar a ira de Poseidon e livrar a Etiópia da aniquilação.


Pégaso, ao contrário do que mostra o filme, nasce do ventre de Medusa após a sua morte. O que leva Perseu ao pântano no mito original são as sandálias aladas oferecidas por Hermes.


Calibos não existe na mitologia grega. Andrômeda era prometida de Phineus mas aceitou a proposta de casamento de Perseu. Não acreditando nas aventuras de Perseu, Phineus exigiu ver a cabeça da Medusa e foi transformado em pedra.


Andrômeda é ameaçada pelo monstro Cetus e não por Kraken, que também não existem na mitologia grega.


As 3 velhas cegas no mito são irmãs de Medusa, por isso sabiam o seu paradeiro.