No limite do suicídio (The Sunset Limited)


No limite do suicídio (The Sunset Limited) 2011


Direção: Tommy Lee Jones
Elenco: Tommy Lee Jones, Samuel L. Jackson
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Drama
Nota IMDB



Sinopse do filme No limite do suicídio (The Sunset Limited)


Black é um evangélico ex-presidiário que impede White, um professor ateu desiludido, de se jogar na frente de um trem de metrô, o Sunset Limited.


White é levado para o apartamento de Black e lá é mantido contra sua vontade pois Black acredita que é sua "missão divina" é "salvar" a alma do professor descrente.


Na trama esses homens com convicções completamente diferentes discutem religião, vida e morte.


Assistir trailer do filme No limite do suicídio (The Sunset Limited) legendado em português pt br:




Resenha do filme / análise crítica do filme No limite do suicídio (The Sunset Limited) e seus usos em Cinema Terapia:


Baseado no romance de Cormac McCarthy, o filme retrata duas posturas ideológicas antagônicas: de um lado Black, crente, otimista, dionísico.
Do outro White, ateu, pessimista, apolíneo, que após perder todas as ilusões e se cansar da futilidade da vida, decide cometer o suicídio.


Lógico que na vida real as pessoas não são tão caricatas ou extremas. Como ensina Aristóteles e até o Budismo, o importante é encontrar o equilíbrio, o 'caminho do meio": se tornar um ser integral que consegue conciliar forças aparentemente contraditórias mas no fundo complementares como razão e emoção, ou nos termos de Freud "pulsão de vida e pulsão de morte".


No metrô, Black vê White a um passo de se jogar na frente do trem "The Sunset Limited", o impede e o leva para seu apartamento. Durante quase 90 minutos os dois travam um duelo de crenças, onde Black tenta desesperadamente distrair White de seu plano suicida.


Enquanto Black defende a existência de Deus, a importância de se construir e manter vínculos afetivos com os seus iguais e a utilidade da esperança, White se agarra à constatação das atrocidades cometidas pelo ser humano, a hipocrisia da vida em sociedade, a fragilidade de "verdades" simplistas e a ausência de um significado da vida.


Apesar dos louváveis esforços de Black, White sai do apartamento com sua convicção aparentemente inabalável de que a morte o libertará da dor da sua existência, enquanto Black não parece estar tão seguro de suas crenças.


É impossível não enxergar um pedido de socorro (White não era prisioneiro de Black) por trás da aparente auto suficiência de White: uma pessoa inteligente não teria tanta dificuldade em dar cabo de seu plano, nem vacilaria tanto diante da porta do apartamento.
No fundo White quer ser salvo (onde, em termos de Análise Transacional, White seria a Vítima ou Criança Rebelde Não OK em busca do Salvador-Pai Nutritivo OK), e tenta se agarrar ao que sobrou de sua esperança de que, afinal, existe (pelo menos um) motivo para continuar vivendo. Descobrir um (ou mais) motivos é literalmente uma questão de vida ou morte.


Segundo Viktor Frankl (famoso neurologista, psiquiatra e fundador da logoterapia que foi prisioneiro em Auschwitz), não existe um sentido da vída único, que sirva para todas as pessoas.
O sentido da vida é o de encontrar um propósito para si, algo pelo que lutar. Cada um criará seu próprio propósito, a sua maneira, e cabe a cada um descobrir algo que motive aquela pessoa (e somente ela) a levantar da cama todos os dias e enfrentar os desafios pelo caminho.
Como diria Nietzsche "Aquele que tem um porquê viver, pode suportar a quase todos os comos".