Regras da vida (The cider house rules)


Regras da vida (The cider house rules) 1999


Direção: Lasse Hallström
Elenco: Tobey Maguire, Michael Caine, Charlize Theron, Paul Rudd, Delroy Lindo, Erykah Badu, Jane Alexander, Kathy Baker, Kieran Culkin, Kate Nelligan, J.K. Simmons, Evan Parke
Ano: 1999
País: EUA
Gênero: Drama, Romance
Nota IMDB



Sinopse do filme Regras da vida (The cider house rules):


Informalmente adotado pelo bondoso médico de um orfanato, Homer Wells passa sua adolescência aprendendo o ofício da obstetrícia e ajudando os outros órfãos do local.


Contrariando a expectativa de seu mentor, Homer decide conhecer o mundo "lá fora". Apesar de sua vida longe do orfanato se mostrar mais excitante do que Homer imaginava, os acontecimentos o conduzem a assumir o papel ao qual sempre esteve destinado.


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Resenha do filme / análise crítica do filme Regras da vida (The cider house rules) e seus usos em Cinema Terapia:


Baseado no best seller de John Irving, o filme conta a história de Homer Wells, um órfão que foi adotado e devolvido duas vezes ao orfanato (uma por não chorar, outra por chorar demais após apanhar dos pais adotivos), sendo então adotado informalmente pelo benevolente médico do orfanato, Dr. Wilbor Larch.


Quando perguntado por outro órfão se nunca pensou em procurar seus pais biológicos, Homer responde:
Na verdade, não. Eles nunca fizeram o que os pais deveriam fazer. O Dr. Larch, Edna e Angela fizeram isso.


Homer aprende o ofício de seu tutor (obstetrícia), mas se recusa a praticar abortos ilegais. Após tantos anos ajudando mulheres a parir futuros moradores do orfanato, Dr. Larch se justifica:
Homer, se quiser que as pessoas sejam responsáveis pelos filhos... precisa dar a elas o direito de decidir se querem tê-los ou não.
Eu interfiro quando uma mulher pobre diz que não pode abortar... que não tem escolha senão pôr mais um órfão no mundo?
Não interfiro. Nem recomendo o aborto. Só dou o que ela quer.


Apesar de discordar de seu mentor, Homer segue sua vida oferecendo aos seus colegas do orfanato não somente cuidados médicos, mas aprendizado e afeto (inclusive à Fuzzy, um garoto que nasceu prematuro, filho de uma mãe alcoólatra, e que desenvolveu um quadro grave de bronquite. Aliás, li uma vez em um artigo ou livro de psicossomática que problemas respiratórios podem estar associados a um pensamento de não se achar digno de viver, que nesse caso pode ter sido desencadeado pela perda abrupta e traumática da mãe, que abandonou Fuzzy logo após o nascimento no orfanato).


Tudo indica que agora Homer está pronto para ser o substituto de seu tutor, até que um dia o Tenente Wally e sua namorada Candy aparecem no orfanato, em busca de um médico que os ajude a se livrar de uma gravidez indesejada. Homer decide seguir um caminho diferente do idealizado por seu mentor, e pede uma carona ao casal para explorar o mundo "lá fora", longe do que até então ele conhecia como lar.


Homer então é contratado para colher maçãs na fazenda de Wally, mas logo o tenente parte para a guerra.


Seja porque teve seu instinto maternal desperto (e não atendido), seja porque como ela admitia "Não sirvo para ficar sozinha", Candy se interessa pelo ingênuo Homer e os dois se tornam cada dia mais íntimos. Esse é, na minha opinião, o primeiro momento em que Homer se dá conta que as regras morais não são tão facilmente aplicáveis na vida prática: Homer está completamente apaixonado pela namorada de seu mais novo amigo e benfeitor.


Os outros empregados perguntam a Homer (que sabe ler) o que diz o papel afixado na parede do cômodo que compartilham. Regras como "não fumar na cama", "não subir no telhado", "não operar as máquinas sob efeito de álcool"... Ninguém duvida que essas regras têm motivações nobres (preservar a segurança dos empregados por ex.), mas Homer percebe, pela segunda vez, como Dr. Larch chegou à conclusão de que subverter as regras, às vezes, é necessário:
Alguém que não mora aqui criou essas regras. Elas não servem pra nós. Temos de criar nossas próprias regras... e criamos... todo santo dia. Certo, Homer?
Certo.
Então por que não queima essas regras? Vamos, Homer, queime.


Enquanto isso o veterano Dr. Larch, cada vez mais dependente do éter para conseguir dormir, é pressionado pelo corpo de diretores para arrumar um substituto. Ele escreve a Homer, providencia um "diploma" de medicina para ele, envia uma mala com utensílios médicos... Mas Homer, deslumbrado com sua nova vida, declina o convite.


Acostumado com a falta de privacidade (no orfanato ele também dormia em um quarto com vários outros órfãos), Homer nota os sintomas de gravidez da colhedora de maçãs Rose e descobre que a criança é fruto de uma relação incestuosa (o pai da criança é o próprio pai de Rose).


Homer precisa fazer uma difícil escolha moral: Continuar com suas próprias crenças a respeito de aborto ou ajudar Rose no momento que ela mais precisa? Finalmente Homer pega sua maleta de médico e coloca em prática aquilo que sempre foi contra, mas que agora ele percebe ser a única saída para Rose.


Candy recebe a notícia de que Wally está voltando para casa, paralítico. O romance entre Candy e Homer esfria e paralelamente Homer recebe a notícia da morte do Dr. Larch. Homer decide voltar ao orfanato, pronto para cumprir o script de vida idealizado por seu amoroso mestre: Homer agora se torna o "pai" e cuidador de muitos.


Como nas últimas palavras do Sr. Rose:
Às vezes, é preciso transgredir as regras... pra acertar as coisas.