Reine sobre mim (Reign over me)


Reine sobre mim (Reign over me) 2007


Direção: Mike Binder
Elenco: Adam Sandler, Don Cheadle, Jada Pinkett Smith, Liv Tyler, Saffron Burrows, Donald Sutherland, Robert Klein, Melinda Dillon, Mike Binder
Ano: 2007
País: EUA
Gênero: Drama
Nota IMDB



Sinopse do filme Reine sobre mim (Reign over me):


Charlie Fineman perdeu sua esposa, filhas e cachorro no trágico 11 de setembro de 2001 em Nova York.
Com dificuldades para lidar com sua dor, Charlie reencontra por acaso Alan Johnson, um antigo amigo da faculdade que também enfrenta dilemas pessoais.
Aos poucos o vínculo re-estabelecido ajuda ambos a reerguer suas vidas.


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Resenha do filme / análise crítica do filme Reine sobre mim (Reign over me) e seus usos em Cinema Terapia:


No trágico atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, Charlie Fineman perdeu tudo que lhe era mais caro: esposa, filhas, cachorro. Desde então Charlie largou sua carreira de dentista, se tornou um recluso, paranóico com a possibilidade de encontrar qualquer pessoa que o faça lembrar-se de sua família. Foge de perguntas constrangedoras sobre a tragédia, seja se isolando em seu fone de ouvido, se entregando compulsivamente a uma reforma em sua cozinha que nunca acaba ou literalmente fugindo em seu patinete quando encontra seus sogros ou amigos.


Até que um dia Charlie reencontra seu colega de quarto dos tempos da faculdade Alan Johnson, um dentista bem sucedido que não consegue conciliar sua atribulada agenda profissional com sua vida familiar.


Como Alan não sabe sequer que Charlie se casou, Charlie permite que Alan entre em seu mundo, até então frequentado apenas pela síndica e seu contador. No apartamento de Charlie, os dois jogam videogame e discutem sobre discos antigos.


Quando Alan descobre e questiona Charlie sobre o acidente, detona uma explosão violenta de fúria. Alan então passa a evitar o assunto, mas secretamente tenta achar uma forma de ajudar o amigo a superar o que houve.


Mas se engana quem pensa que só Charlie está sendo ajudado: o pretexto de ter um amigo passando por dificuldades vem a calhar, já que Alan há tempos quer reivindicar um pouco mais de espaço à sua esposa, mas não consegue se comunicar com ela.


Alan tenta simular um encontro acidental entre Charlie e um amigo de Alan que é psiquiatra, mas Charlie tem outro acesso de raiva quando percebe a trapaça. Somente quando Charlie acha que está pronto para enfrentar seu trauma é que pede ajuda ao amigo, que o encaminha para uma psicóloga.


Semanas de terapia se passam, e Charlie continua se negando a entrar em contato com as lembranças do seu passado e as emoções que este desencadeia. Um dia, com muito cuidado, a terapeuta diz a Charlie que não faz sentido ele continuar frequentando as sessões se não contar o que houve, mesmo que seja a outra pessoa. Charlie decide desabafar com o amigo Alan, contando inclusive como se sente culpado por ter tratado mal a esposa ao telefone horas antes do acidente quando ela pedia sua opinião sobre a reforma da cozinha.


O "saldo" do desabafo é uma baita depressão (que Charlie vem tentando escapar a anos) e mais tarde ele tenta se matar. Como não acha as balas, vai para a rua e arruma confusão com policiais na esperança de que estes o matem e acabem com sua dor.


Por sua atitude transgressora, Charlie é detido. Quando descobrem que se trata de um viúvo do atentado de 11/09/01, o encaminham para uma avaliação psicológica, e Charlie fica internado por alguns dias, enquanto a audiência para julgar se Charlie deve permanecer internado ou não é marcada.


Durante o julgamento, o advogado de seus sogros tenta forçar Charlie a ver as fotos de sua esposa e filhas, enquanto seus sogros relatam o sofrimento que Charlie tem causado ao evitar o contato com eles. Charlie diz que não precisa ver as fotos, pois vê sua família e seu cachorro todos os dias em rostos de outras pessoas/animais.


Durante o intervalo do julgamento, Charlie diz estar mais preocupado com Alan do que consigo próprio, e isso motiva Alan a finalmente expressar seus sentimentos para sua esposa.


O juiz condena a postura egoísta dos sogros de Charlie, e pede que considerem se querem mesmo que Charlie seja internado. Ao se darem conta de que afinal eles têm como recorrer um ao outro para fugir da angústia (ao contrário de Charlie que também perdeu muito cedo os pais e logo depois a tia que cuidava dele) decidem liberar Charlie da internação e desistem de forçar um contato com ele.


Alan leva Charlie para casa e convida Donna Remar, uma ex-paciente que era obcecada por fazer sexo oral em Alan (sendo que ela mesma admite ter agido assim por estar desestruturada após descobrir que seu marido tinha uma amante o que gerou um divórcio traumático), por quem Charlie se sentiu atraído desde a primeira vez.


O que será de Charlie agora? Nas palavras de sua psicóloga:
- Penso que o Charlie tem que encontrar o seu próprio caminho, não na nossa hora, mas na hora dele, e acho que isso vai acontecer, ele vai encontrar pessoas que preencham a sua vida outra vez. Não hoje, mas em breve, lentamente.



5 ESTÁGIOS DE MORTE
Esse é um filme excelente para explorar o conceito dos 5 estágios do luto pelos quais boa parte das pessoas passa ao lidar com a morte.
Ao que tudo indica, Charlie parece ter permanecido por anos estagnado principalmente nos 3 primeiros estágios.



  1. Negação e isolamento: Charlie se recusa a ter contato com amigos e parentes do tempo em que era casado, "finge" que nada aconteceu ou que não se "lembra", se refugia atrás do fone de ouvido, etc.

  2. Raiva: As explosões de raiva de Charlie são um recurso quando se sente encurralado e o confronto com suas memórias é inevitável. Na realidade o alvo da raiva de Charlie é sua dor psíquica.

  3. Negociação: reformar a cozinha talvez seja uma forma de Charlie se desculpar pela forma como tratou sua esposa na última conversa que tiveram. Charlie tenta adiar a conclusão da reforma não só como forma de passar o tempo e se distrair dos seus pensamentos, mas também porque não sabe (e nem teria como saber) se está do jeito que sua mulher gostaria que estivesse. Sua esposa não vai voltar para dizer se a cozinha ficou bonita, então ele adia a consciência da verdade (o reencontro com sua família não vai acontecer).

  4. Depressão: Com a ajuda de Alan, Charlie finalmente entra em contato com suas emoções e a depressão (não que ela não estivesse presente o tempo todo, mas talvez em menor intensidade) se instala. Charlie tenta o suicídio.

  5. Aceitação: Será que Donna é a peça chave para Charlie aceitar a morte de sua família e seguir adiante?