Ouça nosso Podcast sobre Relacionamentos abusivos: narcisismo e codependência (pessoas manipuladoras)


PESSOA ABUSIVA geralmente é aquela que tem um padrão constante de querer exercer controle ou poder sobre outra pessoa, de forma violenta verbal, emocional, moral, física ou sexualmente. 

Nesse bate papo de hoje iremos tratar apenas sobre os abusos verbal e emocional, e a relação entre o narcisismo e co-dependência (também conhecido como co-narcisismo ou empatia patológica).

Primeiro vamos começar com os traços que definem cada um dos papéis (narcisista e co-dependente).

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA:
De acordo com o DSM-5, indivíduos com TPN apresentam a maioria ou todos os seguintes sintomas:
1) Grandiosidade com expectativas de tratamento superior aos outros;
2) Fixação por fantasias de poder, sucesso, inteligência, atratividade, etc.;
3) Autopercepção de ser único, superior e associado a pessoas e instituições de alto status;
4) Necessidade constante de admiração pelos outros;
5) Senso de direito a tratamento especial e a obediência de outros;
6) Exploração de outros para obter ganho pessoal;
7) Falta de interesse em simpatizar com os sentimentos, desejos ou necessidades dos outros;
8) Intensamente invejoso dos outros e a crença de que outros também têm inveja deles;
9) Atitude pomposa e arrogante.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_narcisista

CODEPENDÊNCIA
Codependente é uma pessoa que tem deixado o comportamento de outra afetá-la, e é obcecada em controlar o comportamento dessa outra pessoa.

O codependente acredita que sua felicidade depende da pessoa que tenta ajudar, e assim se torna dependente dele emocionalmente, sendo excessivamente permissivo, tolerante e compreensivo com os abusos do outro, mesmo que este seja excessivamente controlador, perfeccionista e autoritário. É comum que o codependente coloque as necessidades do outro, acima de suas próprias. É comum que desenvolvam duplo vínculo.
Algumas das características do codependente, segundo o livro "Codependência Nunca Mais" de Melody Beattie, são:
1) Considerar-se e sentir-se responsável por outra(s) pessoas(s) – pelos sentimentos, pensamentos, ações, escolhas, desejos, necessidades, bem-estar, falta de bem-estar e até pelo destino dessa(s) pessoa(s).
2) Sentir ansiedade, pena e culpa quando a outra pessoa tem um problema.
3) Sentir-se compelido – quase forçado – a ajudar aquela pessoa a resolver o problema, seja dando conselhos que não foram pedidos, oferecendo uma série de sugestões ou equilibrando emoções.
4) Ter raiva quando sua ajuda não é eficiente.
5) Comprometer-se demais.
6) Culpar outras pessoas pela situação em que ele mesmo está.
7) Dizer que outras pessoas fazem com que se sinta da maneira que se sente.
8) Achar que a outra pessoa o está levando à loucura.
9) Sentir raiva, sentir-se vítima, achar que está sendo usado e que não sente sendo apreciado.
10) Achar que não é bom o bastante.
11) Contentar-se apenas em ser necessário a outros.
Nem toda forma de apoio, compreensão e altruísmo são problemáticos, eles podem ser muito úteis e importantes para o funcionamento da família, só se tornam problemáticos quando causam grande sofrimento aos envolvidos e não ajudam a resolver o comportamento patológico da pessoa-problema.
Padrões de co-dependência não resolvida pode levar a problemas mais graves como o alcoolismo, vício em drogas, transtornos alimentares e outros comportamentos auto-destrutivos e vícios patológicos. As pessoas com co-dependência também são mais susceptíveis de atrair novos abusos de indivíduos agressivos , mais propensos a ficar em empregos estressantes ou relacionamentos, menos propensos a procurar atendimento médico quando necessário e também são menos propensos a receber promoções e tendem a ganhar menos dinheiro do que aqueles sem os padrões de co-dependência.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Codepend%C3%AAncia

PORQUE NARCISISTAS E CODEPENDENTES SE ATRAEM
O "imã" que atrai o narcisista e o codependente, sob a ótica da Análise Transacional, diz respeito a posições existenciais complementares. 
O Codependente acredita que ele próprio NÃO É OK, enquanto que os outros SÃO OK
O Narcisista acredita que ele próprio É OK, enquanto que os outros NÃO SÃO OK
Passamos boa parte de nossas vidas tentando confirmar nossas posições existenciais.
A melhor forma do Codependente confirmar que NÃO É OK é ter uma(s) pessoa(s) em sua vida dizendo e reforçando isso o tempo todo, através de desqualificações.
Essa situação é ideal pro Narcisista, que ao desqualificar o Codependente (ex: xingando ele de inútil) não só reforça sua superioridade (EU - narcisista - SOU OK) como também confirma que os OUTROS NÃO SÃO OK (o Codependente inclusive).

CRIANÇA DE OURO E BODE ESPIATÓRIO
Na dinâmica de uma família narcisista, o pai ou a mãe narcisista irá projetar todas as suas próprias qualidades em um(a) filho(a), que será a "Criança de Ouro" (geralmente mas nem sempre o filho mais velho), enquanto que irá projetar tudo que tem de negativo em si mesmo (sua sombra) no(a) outro(a) filho(a) que será escolhido pra interpretar o papel de "Bode Espiatório". 
A "Criança de Ouro" pode vir a se tornar um Narcisista quando adulto, enquanto que o "Bode Espiatório" poderá se tornar um Codependente.

COMO SAIR DE UM RELACIONAMENTO ABUSIVO:
1) Procure investigar em sua infância, com a ajuda de um psicólogo, se e quando foi a primeira vez que você foi abusado. Exemplo de abuso ou bullying verbal e emocional: um pai, mãe, vô, vó, tio, tia ou cuidador que te desqualificava, humilhava, xingava, etc.

Essa "ferida original", se inconsciente e não trabalhada, pode levar a uma compulsão pela repetição da mesma situação vivida na infância porém agora na vida adulta e com pessoas diferentes. Sem a consciência do trauma original, a pessoa pode estar constantemente procurando outras pessoas (um namorado, um chefe, um amigo, etc) pra desempenhar o mesmo papel do abusador de sua infância.
Seja gentil consigo mesmo durante o processo de investigação e não se culpe: quando o abuso ocorreu da primeira vez, você muito provavelmente era vulnerável (em muitos casos a própria sobrevivência da criança dependia dos cuidados e alimentação do abusador) e nada podia fazer para impedir, a não ser se submeter ao abuso.

2) Contextualize e atualize sua crença sobre si mesmo. A criança não tem o cérebro totalmente formado e acredita facilmente no que os pais ou cuidadores dizem dela. Então se, por exemplo, o abusador dizia na sua infância que você era um imbecil, pode ser que em um nível inconsciente você ainda acredite nisso, e aja de acordo, mesmo agora adulto.
Pode ser também que nos seus diálogos internos, tenha uma "voz" (que é a internalização do do abusador - seja um pai e/ou mãe, etc) repetindo as mesmas palavras, reforçando agora na vida adulta essa crença, esse auto-conceito, essa posição existencial de que você NÃO É OK.
Se você não encontrar dentro de você nenhuma voz de incentivo (Pai Nutritivo) falando que você é OK, te validando, te elogiando e falando coisas boas sobre si mesmo, é possível criar, na vida adulta, um Pai Nutritivo interno (mesmo que não se pareça com os pais reais) através de um processo chamado Reparentalização.

3) Agora a prioridade é você. Se você teve um padrão de comportamento de co-dependente boa parte da sua vida, provavelmente estava ocupado demais tentando agradar os outros ou na impossível tarefa de tentar "prever" e controlar os acessos de fúria do seu abusador através do seu comportamento submisso e de empatia patológica. Agora é a hora de se colocar em primeiro lugar. Pode parecer estranho ou desconfortável no começo, mas é essencial para sua cura. Sintonize sua antena emocional que antes estava "ligada" na emoção dos outros e procure ouvir seus próprios sentimentos. 

4) Afaste-se do seu abusador pra que sua ferida possa cicatrizar. Não dá pra cuidar de si e construir um conceito positivo sobre si mesmo com uma pessoa o tempo todo falando coisas negativas sobre você, confirmando sua crença de que você não tem valor, e querendo que você cuide delas e esqueça de si mesmo. Especialmente se o abusador é um narcisista, é imprescindível não somente se afastar, mas também estabelecer limites para que essa pessoa não volte a te perturbar. Se não for possível o afastamento total (por exemplo no caso de uma guarda de filhos compartilhada com um ex-marido) tente uma estratégica conhecida como "Rocha cinza": fale o mínimo possível com essa pessoa só sobre assuntos imprescindíveis, NÃO reaja emocionalmente à nenhuma das provocações do narcisista, e seja tão desinteressante quanto uma rocha cinza, pra que o narcisista desista de você e vá procurar suprimento narcisista em outro lugar. Esteja preparado para a fúria narcisista que virá como consequência da sua desconexão emocional com ele, e também se prepare para todos os tipos de manipulação que o narcisista usará pra te "sugar" (Hoovering) de volta ao relacionamento abusivo, especialmente o FOG (Fear, Obligation and Guilt), que basicamente é tentar te incutir Medo, Obrigação ou Culpa.

5) Continue trabalhando sua Auto estima. É um trabalho longo, contínuo e necessário. Canalize sua necessidade de "Salvar" para si mesmo. Procure descobrir o que te faz feliz, quais os hobbies você queria ter mas nunca pode pois estava ocupado demais cuidando dos outros. Essa é sua primeira chance de ouvir seus desejos e carências a tanto tempo não ouvidos, e principalmente, atendê-los.
O abusador, é claro, não ficará nada feliz e irá fazer o que for necessário pra voltar a ser o centro da sua atenção e cuidado. Talvez te chamem de egoísta. Não ligue. Agora é a vez de usar a sua empatia, mas dessa vez pra você próprio.
Uma vez li num livro do Aristóteles que, sempre que a gente tem um hábito muito antigo e enrraigado, precisamos "esticar o elástico" pro outro extremo (Por exemplo, uma pessoa que foi a vida toda INSEGURA, precisa se forçar a ficar ULTRA SEGURA DE SI), pois quando a gente soltar esse elástico, ela vai tender a voltar pro mesmo lugar, e é nessas que a gente chega no meio termo. Então fique firme, e boa jornada!

 


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