...Não só metodologias de educação baseadas na auto-estima não produzem excelência, como de fato a comprometem.

Assim parece que, se o sistema escolar não conseguiu imbuir os estudantes com uma verdadeira auto-estima, ele foi mais bem sucedido ao fomentar o narcisismo. No sentido clínico mais simples, o narcisismo pode ser definido como um sentimento exagerado de seu lugar no mundo. Os verdadeiros narcisistas necessitam dos outros apenas por sua utilidade em alimentar o seu sentimento de grandiosidade. E ainda assim o narcisismo é uma doença paradoxal, na medida em que os narcisistas nunca estão verdadeiramente seguros em seu sentido inchado de auto-estima; eles anseiam por uma validação constante. Não é razoável pensar que tal condição resulte de uma escolaridade que apregoa uma auto-estima vazia e infundada? Isso é precisamente o que o psicólogo Charles Elliott conclui em seu livro, Hollow Kids: Recapturing the Soul of a Generation Lost to the Self-Esteem Myth [Crianças Vazias: Retomando a Alma de uma Geração Perdida para o Mito da Auto-Estima].

O trabalho de pessoas notáveis da psicologia como Baumeister, Jennifer Crocker, e Nicholas Emler afirma que o maior sintoma de grave comportamento anti-social não é a “baixa auto-estima”, como teorizado uma vez, mas sim a ultra-alta auto-estima. De fato, o estudo pioneiro Baumeister, publicado em 1998 no Journal of Personality and Social Psychology, revelou que os níveis mais elevados de auto-estima e/ou narcisismo são freqüentemente encontrados em serial killers, traficantes de drogas e outros misantropos.

Vale a pena ressaltar que o movimento da auto-estima foi o resultado de uma das mais colossais gafes lógicas da história. Os psicólogos educacionais haviam observado que as crianças que tiram boas notas geralmente pontuam um pouco maior na auto-estima do que os estudantes ruins. Então — eles pensaram — tudo o eles tinham a fazer para transformar baixos resultados em grandes resultados era “disparar” uma dose extra de auto-estima. O que os educadores não perceberam, é claro, foi que eles tinham invertido a causalidade: as crianças com boas notas tinham maior auto-estima por causa das notas, e não vice-versa.